POESIA, MUITA POESIA

Monday, November 13, 2006

OPERÁRIO



MARIA NAZARETH

Acorda às quatro horas
madruga, madruga a vida
pega o trem
leva sonhos
leva desilusões.
O trem leva o suor
do operário
carrega sonhos dos oprimidos.
Meio-dia
almoço na marmita
olha o céu, as nuvens
espreita a moça
que passa faceira
e lembra a mulher
lavadeira, passadeira
que lava sonhos e suor.
À noite só resta a TV
preta e branca
João sonha
que virou patrão
e nega toda a exploração.
Acorda às quatro horas
madruga, madruga a vida.

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