Monday, October 30, 2006
Wednesday, October 25, 2006
Wednesday, October 04, 2006
INFÂNCIA

MARIA NAZARETH
Para Nair Mendonça de Souza
(In memoriam)
Toalhas de renda tecem recordações...
Jasmins, dálias, rosas entrelaçam
o perfume no casarão,
entrelaçam a saudade...
- Bênça pai, bênça mãe, bênça vó, bênça vô
e as bênçãos do Senhor enchiam de graças
minha vida.
Toalhas de renda tecem a manhã...
um flamboyant colorido
o barulho do mar, o vento, as campinas,
bem-te-vis, canários, sanhaços afloram
o êxtase de um tempo distante...
Toalhas de renda tecem a saudade...
Cirandas de roda ao luar,
risos, vozes, risos...
E São Jorge a nos contemplar.
Minha mãe contava histórias
e minha vida ficava mais cheia de fantasias...
A mesa posta, as xícaras de porcelana,
as compoteiras de doces, o jarro de flores
meu pai, minha mãe, meu irmão.
Toalhas de renda tecem vida e poesia...
SAQUAREMA

MARIA NAZARETH
O mar galopa...
Enovela o tempo na água verde-clara
verde-escura...
Nas ondas galopam:
a liberdade
a beleza
o êxtase.
O mar galopa sobre as pedras
as pedras
o vento
a areia.
O mar galopa...
Lá vai o cavalo-marinho alado
por entre as águas
levando mais um dia de sol.
Tecendo o tempo e a vida.
O mar galopa...
A vida galopa a vida...
CANÇÃO DE OUTONO

MARIA NAZARETH
Chuvas de outono
folhas mortas nas calçadas
o vento frio e a chuva fina
trazem fios de saudade...
Chuvas de outono
vestem a manhã de eterna graça
afloram simples lembranças
acalentam sonhos e desejos.
O sino plange ao longe
e acalenta minha alma solitária.
Chuvas de outono
traçam minha solidão
folhas mortas nas calçadas
esperam uma nova manhã
e vestem a manhã de eternidade.
O sino plange ao longe
e acalenta minha alma solitária.





